Reprodução em Suínos

Emanuel Isaque Cordeiro da Silva
Técnico em Agropecuária pelo Instituto Federal de Penambuco campus Belo Jardim.


INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO
CURSO: AGROPECUÁRIA
DISCIPLINA: SUINOCULTURA
PROF. GAUDÊNCIO DE LIMA SOBRINHO



1. MANEJO DA PRODUÇÃO:

   O manejo da produção compreende todo o processo reprodutivo e produtivo do sistema, devendo ser conduzido com toda a atenção, pois dele depende o alcance de melhores índices produtivos e o retorno econômico da atividade.


2. ANATOMIA E FISIOLOGIA DO APARELHO GENITAL DOS SUÍNOS:


2.1 MACHO



  1. Glândula Bulbouretral
  2. Testículo 
  3. Músculo retrator do pênis 
  4. Prepúcio 
  5. Divertículo prepucial 
  6. Cauda do epidídimo
  7. Glândula Vesicular
  8. Pênis
  9. Curva Sigmoide


GLÂNDULA  BULBOURETRAL

  Presente em todos os machos exceto no cão são glândulas pares e encontra-se na extremidade da pelve e é bastante grande em suínos essa glândula que forma o líquido seminal.

PÊNIS

  Tem origem com dois pedúnculos no arco isquiático e se juntam e formam a raiz do pênis a qual se transforma no corpo do pênis sendo formado por dois corpos cavernosos dorsais e um corpo esponjoso. A glande do pênis é formado no caso de cães e gatos pelo osso peniano e nas demais especies pelo corpo esponjoso da glande.

PREPÚCIO

  É uma prega com dupla pele que reveste o pênis do meio externo, contem glândulas que produzem o esmegma e no suíno possui um divertículo que proporciona o acumulo de sujidades.


2.2 FÊMEA



  Os órgãos genitais femininos são constituídos de forma análoga aos órgãos genitais masculinos, contendo segmentos produtores, segmentos condutores e segmentos receptores de gametas. A formação das células tem seu inicio nos ovários, as gônadas feminina funcionam também como glândulas secretoras endócrinas de alguns hormônios essenciais para a reprodução.

  O ovário encontra-se contíguo aos segmentos de condução e ao órgão de recepção do ovócito ou seja, o ovário está intimamente ligado à tuba uterina e ao útero e continua com a vagina e ainda o vestíbulo abre-se na uretra feminina chamada de Óstio uretral externo.

OVÁRIO

  O ovário tem origem na eminencia germinativa na região sublombar caudalmente aos rins onde as células primordiais (mesenquimais) do saco vitelino vão formar um aglomerado de ovócitos.

   Os ovários são órgãos pares e situam-se e permanecem na cadela e na gata na região
sublombar caudalmente aos rins, essa localização há uma variação nas diferentes espécies devido a um deslocamento desses órgãos, como por exemplo, na égua os ovários se deslocam cerca de 8 a 10 cm da parede dorsal. Na porca os ovários encontram-se no terço médio do abdômen e na vaca os ovários vão estar localizado no terço ventral do abdômen cranial ao púbis. Os ovários possuem um formato elíptico e reniforme.

  A constituição dessa parte do sistema genital feminino se dá através da observação de um corte transversal no qual encontra-se internamente uma Zona medular, uma parte de tecido conjuntivo frouxo rico em vasos sanguíneos, estroma, uma estrutura densa e uma zona parenquimatosa externa. A camada externa é recoberta por uma Túnica albugínea, essa túnica recobre a camada simples de células da gônada. Na égua o estroma é rico em vasos sanguíneos e envolve em forma de cúpula a zona parenquimatosa alcançando a superfície ovárica somente na margem da fossa da ovulação.


FOLÍCULO OVARIANO

  Desenvolve-se em animais com maturidade sexual na zona parenquimatosa diferenciando-se em folículo primordial, folículo primário, folículo secundário folículo terciário e folículo de graaf.

  No folículo de graaf na vaca a superfície do ovário aumenta nitidamente cerca de 2 cm e na égua aumenta cerca de 3 a 6 cm. As células da Teca forma a parede celular do folículo maduro e produz o estrogênio e a progesterona. O estrogênio produzido no folículo de graaf leva o animal a entrar no cio e aceitar a cópula, o progesterona vai proporcionar a fêmea uma preparação do útero para a recepção e implantação do ovócito fecundado.


TUBA UTERINA

  A tuba uterina são pares e apresenta um lúmen bastante estreito e ainda um trajeto bastante sinuoso. A tuba uterina está suspensa por uma serosa camada, conhecida por mesossalpinge. A tuba uterina tem a forma de um funil, chamada de Infundíbulo da tuba Uterina, esse infundíbulo tem a função de receber a o ovócito que vai ser liberado no momento da ovulação, essa estrutura possui pregas na mucosa e na margem conhecida como fímbrias. As pregas da mucosa vão forma um aspecto radiado e ainda delimitar no centro o óstio abdominal da tuba uterina, esse óstio que vai estabelecer uma conexão entre a cavidade peritoneal e o meio externo.



  Após o infundíbulo segue uma pequena dilatação, chamada deAmpola uterina, nessa região acontece a fecundação do óvulo permanecendo aí por alguns dias e sendo encaminhado pelo estreito e sinuoso segmento da tuba uterina para a extremidade do corno uterino através do Óstio uterino da Tuba que na cadela e na égua possui uma Papila que de certo modo representa uma região propícia a armazenar agentes infecciosos e nas demais espécies a abertura da tuba uterina para os cornos uterinos vai acontecendo
gradualmente.

BOLSA OVÁRICA

  O ovário e a tuba uterina são fixados nas margens cranial da prega peritoneal do ligamento largo do útero do mesovário e respectivamente na mesossalpinge essas pregas de fixação dão passagem aos feixes nervosos desses órgãos. Na cadela e na gata e na porca existe ainda o ligamento cranial do ovário que na gata contém vasos sanguíneos, que nas ovariectomias deve-se
ter cuidado. Esse ligamento pode ser denominado de ligamento suspensório do ovário com parando aos machos.

ÚTERO

  Forma-se embriologicamente da mesma forma que a tuba uterina e a vagina dos ductos de mulher, que nos animais domésticos permanecem afastados extensamente como Cornos uterinos na região cranial. O útero bicórneo é caracterizado por dois cornos uterinos e um
único corpo uterino e um colo uterino (cérvix). Nos carnívoros os cornos uterinos se estendem na cavidade abdominal alcançando a bolsa ovárica que se encontra caudalmente aos rins.

  Na porca os cornos uterinos são bastante flexuosos e aparentemente mais longo; na vaca, ovelha e cabras são bastante arqueados e suas extremidades aproximam do plano mediano cranialmente ao púbis. Na égua os cornos uterinos são mais afastados em suas extremidades, tanto que chegam a se relacionar com as alças intestinais caudalmente aos rins. O corpo uterino é mais amplo na égua e na porca, na vaca o corpo uterino possui uma separação por um curto septo mediano, na vaca este septo se projeta até as proximidades do colo do útero (cérvix) este septo não é visível externamente.





COLO UTERINO OU CÉRVIX

  Representa um fechamento do útero com parede bastante espessa e facilmente palpável cujo lúmen só abre durante no cio e no momento do nascimento do feto. O canal do colo do útero tem início no óstio uterino interno e fim no óstio uterino externo no qual este comunica-se com a vagina. No fechamento do canal do colo (cérvix) formam-se pregas que se intercalam e promove nas ovelhas, cabras e vaca pregas circulares; na porca pregas cônicas, na cadela e gata pregas longitudinais que juntamente com secreções glandulares formam um tamponamento dessa região mantendo essa cavidade ocluída durante a gestação.

  O colo uterino projeta-se na vaca e na égua na luz vaginal como porção vaginal sendo circundadas nesse local pelo fórnice vaginal. Na porca e na cadela o útero abre-se de forma gradual e na gata observa-se uma pequena elevação em forma de botão.

PAREDE DO ÚTERO

  O Útero é composto por três camadas, camada mucosa chamada de endométrio, camada muscular o miométrio, e uma camada serosa o perimétrio.

  O endométrio reveste internamente o útero e contém glândulas tubulares uterinas, na vaca, ovelha e cabra encontra-se quatro fileiras irregulares de algumas elevações chamadas de carúnculas, nas quais a placenta se fixa na gestação através dos cotilédones. A união dos cotilédones com as carúnculas forma o Placentoma que vai fazer a fixação da placenta ao
endométrio uterino.

  Miométrio é a camada muscular orientada longitudinalmente e é separada por tecido conjuntivo e um estrato vascular.

  Perimétrio reveste o útero externamente e a sua margem a mesometrial as duas laminas serosas do ligamento largo do útero separam-se uma da outra.

VAGINA

  A vagina é o segmento que representa o órgão copulatório da fêmea na qual vai do óstio uterino externo até o óstio uretral externo. Na vaca e na égua o lúmen da vagina diminui na região cranial pela projeção do colo uterino que forma o Fórnice vaginal. No limite caudal da vagina na porca e potranca encontra-se uma dobra da mucosa que corresponde ao Hímem em
humanos. As células da mucosa vaginal modificam-se nas dependências do cio hormonal e são utilizadas como indicadores de cio em cadelas.

VESTÍBULO DA VAGINA

  O vestíbulo da vagina tem início na Vulva e termina no nível do óstio externo da uretra, neste local apresenta-se na ovelha, vaca e cabras uma depressão ventral chamada de Divertículo Suburetral. Encontra-se as glândulas vestibulares menores no assoalho da vagina e as glândulas vestibulares maiores nas laterais da vagina somente em vacas e ovelhas, em cães e éguas encontra-se Corpos eréteis e o Bulbo vestibular na parede lateral.

VULVA

   É formada por ambos os lados pelos lábios vulvares que se unem conjuntamente
nos ângulos dorsal e ventral. No angulo dorsal é redondo e no angulo ventral é agudo. em éguas essa ordem é inversa por conta do clitóris. o clitóris está alojado na fossa clitoriana do vestíbulo da vagina. essa fossa pode armazenar agentes infecciosos nesses animais e nas éguas ainda apresenta
um seio clitoriano na sua porção dorsal.


3. PUBERDADE


• Puberdade: – Idade na qual os machos emitem espermatozoides viáveis e as fêmeas óvulos férteis.

• Idade da puberdade: – Machos: 5 a 7 meses; Fêmeas: 4 a 7 meses

4. IDADE DE REPRODUÇÃO

• Macho 7 a 8 meses 140 kg
Tabela de utilização
FREQUÊNCIA DE UTILIZAÇÃO DOS MACHOS:
Idade em meses - Vezes na semana
 8 – 10                                    2
10 – 12                                 2-4
12 – 15                                 5-6

• Fêmea: 7 a 8 meses
120-140 kg
3º cio

5. CICLO ESTRAL

• Fases:
-Proestro
-Estro
-Metaestro
-Diestro

PROESTRO

• 2 dias
• Crescimento e maturação dos folículos do ovários FSH
• Preparo do aparelho reprodutivo para a prenhez.





ESTRO OU CIO

• 2 a 3 dias
• Ovulação
• Cio folículos maduros
• Receptividade sexual

SINAIS DO CIO • Fêmea procura o macho; • Vulva entumecida e avermelhada • Falta de apetite •Orelhas levantadas • Grunhidos • Montam e deixam-se montar • Ficam imóveis à pressão na linha dorso-lombar • Corrimento vaginal


6.COBERTURA E INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

   A duração ideal de uma monta varia de 5 a 10 minutos. Qualquer cobertura que demorar menos de 3 minutos deve ser considerada uma cobertura duvidosa. É conveniente a adequação do tamanho da porca ao cachaço (tronco de monta se necessário). A fêmea deve estar perfeitamente em cio (imóvel), com a vulva higienizada. O cachaço não deve apresentar problemas de aprumos, sendo recomendado a realização de desinfecção do prepúcio 4 à 5 vezes por ano.

   A baia de cobertura não deve ter cantos e nem pontos que possam causar lesões nos animais.

  O piso não pode ser escorregadio, sendo recomendado o uso de maravalha. O lado mais estreito da baia não pode ser inferior à 2,5 m. A limpeza da baia deve ser diária e a desinfecção realizada semanalmente.


  • Realizar a inseminação artificial na presença do macho, tendo-se o cuidado para que o sêmen seja depositado naturalmente na fêmea e não forçado. O tempo de uma inseminação deve ser de no mínimo 4 minutos;
  • Adotar duas montas ou inseminações por porca e uma terceira monta ou inseminação  somente para porcas com cio novamente testado e confirmado na terceira cobertura. Manter  pintervalo de 24 horas entre montas naturais e de 12h à 24h entre inseminações artificiais, de acordo com o protocolo recomendado para cada categoria de animal ou de intervalo desmame-cio.
Protocolo de cobrição para monta natural:
  Observando-se a detecção de cio com o auxílio do cachaço, duas vezes ao dia, a prática de monta natural com duas cobrições é recomendada dentro das seguintes condições:

• Porcas com intervalo desmame-cio com 5 ou mais dias e leitoas:
Realizar a primeira cobrição no momento em que a porca ou leitoa inicia a aceitação do cachaço. A segunda cobrição deverá ser no máximo 24 horas após.

• Porcas com intervalo desmame-cio até 4 dias:
Realizar a primeira cobrição 12 horas após ter demonstrado imobilidade ao cachaço. A segunda cobrição deverá ser feita 24 horas após a primeira.

Protocolo para Inseminação Artificial:

  Observar o surgimento do cio com cachaço, duas vezes ao dia, e proceder a inseminação artificial (IA) de acordo com a seguinte recomendação:

• Realizar a 1a IA (Inseminação Artificial) 12 horas após a aceitação do cachaço. A 2a
IA deve ser realizada 12 até 24 horas após a 1 a e, caso a leitoa ou porca ainda esteja aceitando o cachaço, uma 3a IA pode ser feita 12 horas após a 2a.




  As imagens acima representam todas as técnicas utilizadas no processo reprodutivo dos suínos. A primeira mostra um reprodutor em cima de um manequim e um trabalhador a coletar seu sêmen; a segunda é uma cópula natural entre um macho e fêmea e a terceira um especializado trabalhador realizando a técnica da inseminação em matrizes.


7. GESTAÇÃO

 Preferencialmente alojar as porcas e leitoas em boxes nos primeiros 30 dias de gestação. Os deslocamentos são claramente desaconselhados entre o dia 7 e o dia 18 de gestação. O ambiente deve ser calmo. Evitar o estresse.

• Manter as instalações em boas condições de higiene e limpeza. Quando alojadas em baias coletivas, a área para leitoas deve ser de 2 m2 e porcas de 3 m2;

• Tanto as porcas do início da gestação (até 4 ou 5 semanas pós-cobertura) como aquelas do  final da gestação (1-2 semanas pré-parto) necessitam especial atenção quanto à temperatura ambiental. Temperaturas elevadas causam efeitos negativos com perdas embrionárias mais evidentes, especialmente entre os dias 8-16 pós-cobrição;

• Após a cobrição até cinco dias de gestação fornecer às fêmeas de 1,8 à 2,0 Kg de ração por dia;

• Entre o dia 6 e o dia 56 alimentar as porcas em função do seu estado ao desmame (Referência n° 22);

• Entre os dias 56 e 85 de gestação, fazer ajuste na quantidade de ração (2 a 2,5 kg/dia/porca) de forma que a porca esteja em uma boa condição corporal;

• Dos 86 dias de gestação até transferência para a maternidade deve ser fornecido até 3 Kg diários de ração;

• A ração deve ser fornecida em duas refeições, pela manhã e à tarde. A oferta de água deve ser à vontade, de boa qualidade e com temperatura inferior à 20°C (consumo diário de 18 à 20 litros);

• Do dia 18 à 24 passar o cachaço em frente às porcas pela manhã e pela tarde, após os
horários de arraçoamento para verificar retornos de cio;

• Fazer diagnóstico de gestação entre 30 - 50 dias com a utilização de ultra-som;

• Fazer diagnóstico de gestação visual após 90 dias;

• Aplicar as vacinas previstas para a fase de gestação;

• Movimentar as fêmeas no mínimo quatro vezes por dia (duas por ocasião da alimentação) para estimular o consumo de água e a micção. Supervisionar e anotar os corrimentos vulvares durante esse período;

• Identificar os animais com problema, anotar os sinais de inquietação e controlar a temperatura corporal, tratando com antitérmicos se for superior a 39,8°C. Observar e registrar os abortos e retornos tardios;

• Fornecer alimentação mais fibrosa na última semana de gestação. Lavar as fêmeas antes de irem para a maternidade.

Tabela 13. Valores críticos e metas na fase de cobrição e gestação.
Indicador                   Valor Crítico(1)       Meta
Taxa de partos (%)               <80                 >86
Taxa de retorno ao cio (%) >13                 <10
Intervalo médio desmame cio (dias) >10 <7
Taxa de reposição anual de matrizes - 1° ano (%)                                   <12                  15
Taxa de reposição anual de matrizes - 2° ano (%)                                   <20                  25
Taxa de reposição anual de matrizes - 3° ano (%)                                   <30                  40
Taxa de reposição anual de machos (%) <50 >80
Relação fêmeas por macho 18:1 20:1
(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.

8. PARTO

   A espécie suína é corpo lúteo-dependente durante toda fase de gestação, portanto a manutenção da gestação depende da produção de progesterona (P4), cuja principal fonte são os corpos lúteos (Sherwood, 1982).

  O processo do parto é desencadeado por uma sinalização vinda dos fetos no momento em que eles já estão maduros e preparados para serem expelidos do útero e enfrentarem os desafios da vida extrauterina. Eles iniciam a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) em média 24h antes do parto que, por sua vez, estimula a produção de corticosteroides fetais (cortisol) pela adrenal dos fetos, a qual desencadeia uma sequencia de eventos endócrinos no organismo materno,
e consequentemente iniciando o processo de contração uterina e expulsão dos fetos. Além de estimular a conversão de progesterona em estradiol nos dias que precedem o parto, o cortisol fetal estimula a síntese placentária de prostaglandina F2alfa (PGF2α) (Senger, 2003).

   Em suínos, a PGF2α estimula a liberação de prolactina e ocitocina, e a liberação de relaxina, hormônio responsável pelo relaxamento dos ligamentos da pelve (First et al, 1982) no intuito de facilitar a passagem dos fetos pelo canal cervical.
Com base nestas colocações, o processo de parto pode ser dividido em três fases:

- Período pré-parto: o primeiro estágio pode ser observado 10 a 14 dias antes do parto, quando há maior desenvolvimento da glândula mamária, acompanhada de hiperemia e edemaciação vulvar, além do relaxamento dos ligamentos pélvicos (Muirhead & Alexander, 2001). Nas imediações do parto, a fêmea se agita, deita e levanta com maior frequencia, há redução do apetite, irritação e mastigação constante, tentativa da fêmea em preparar o ninho. A partir de 12 horas, em média, antes do parto, há secreção de leite em gotas, indicando que a ocitocina está circulante (Meredith, 1995).
  A ejeção de leite em jatos pode ser observada 6 horas antes do parto, podendo ser indicativo de parto próximo. Esta fase culmina com a preparação do trato genital e do complexo mamário, havendo a dilatação da cérvix, aumento considerável das contrações uterinas, deslocamento dos fetos em direção à cérvix e aparecimento de secreção vulvar, às vezes sanguinolenta, caracterizando a ruptura da placenta (rompimento de bolsa).
  Como a pressão exercida na cérvix continua a aumentar, o primeiro leitão insere-se no canal cervical (Anderson, 1993).

- Período de parto: o período da expulsão dos fetos pode durar de 2 a 5 horas (Bollwahn, 1978), com intervalos em média de 10 a 20 minutos. Os leitões são expulsos pela associação das contrações abdominais e uterinas. A duração do parto está relacionada ao número de leitões da leitegada, ao estado corporal das matrizes, ao ambiente, aos cuidados adotados com a matriz, à ordem de parto das fêmeas, entre outras. Para melhor acompanhar o parto de fêmeas com possíveis riscos, deve-se consultar a ficha da fêmea e verificar se ela já teve parto(s) distócico(s) anterior(es),
leitões natimortos e mumificados (Meredith, 1995).

- Expulsão da placenta e lóquios: na terceira etapa, as contrações uterinas continuam, porém mais reduzidas (Meredith, 1995). Ocorre a expulsão das membranas fetais, podendo durar de 1-4h (Muirhead & Alexander, 2001). A placenta de cada leitão pode ser expulsa após o nascimento do leitão, de um grupo de leitões e as remanescentes após o nascimento do último leitão, culminando com o final do parto. Nesta fase, cessam as contrações, a fêmea pode levantar para urinar e beber água. Meredith (1995) ainda sugere uma fase adicional que é o puerpério, ou seja, o período de recuperação do endométrio até o estágio anátomo-fisiológico normal (involução uterina) que dura até três semanas após o parto.

Cuidados com os leitões ao nascer:

  Antes de iniciar o trabalho de parto, é necessário ter à disposição os seguintes equipamentos, materiais e  medicamentos:

• Papel toalha ou panos limpos e desinfetados;

• Barbante em solução desinfetante à base de iodo (iodo 5% a 7% ou iodo glicerinado);

• Frasco de iodo glicerinado para desinfeção do umbigo;

• Seringa e agulha;

• Aparelho de desgaste ou alicate para corte de dentes;

• Tesoura para corte do umbigo;

• Rolo de esparadrapo largo;

• Luvas descartáveis;

• Dispositivo para contenção dos leitões;

• Medicamentos (ocitocina, antitérmico, tranqüilizante e antibiótico);

• Balde plástico para lixo (papel toalha e outros);

• Balde plástico para receber a placenta, os leitões mortos e os mumificados.

Na medida em que os leitões forem nascendo, adotar os seguintes procedimentos:

• Limpar e secar as narinas e a boca dos leitões; massagear os leitões na região lombar, amarrar o umbigo no comprimento de 4-5 cm, cortar 1 cm abaixo da amarração e desinfetar com iodo glicerinado;

• Orientar os leitões nas mamadas, dando atenção especial para os menores que devem ser colocados nas tetas dianteiras;

• Práticas dolorosas como o corte dos dentes e cauda dos leitões não devem ser realizadas durante a parição e sim após sua finalização.

9. EFICIÊNCIA REPRODUTIVA

  A suinocultura tecnificada, como qualquer outra atividade agrícola necessita cada vez mais de ser altamente produtiva, haja visto que as margens nos últimos anos vem se apresentando cada vez menores. Ao avaliarmos o desempenho de uma suinocultura moderna devemos nos centrar em alguns pontos relevantes:

Genética: devemos utilizar, o que existe de mais moderno, disponível em matrizes e reprodutores, melhorados, de acordo com o nível de instalação (construções) utilizadas, e da finalidade da criação.

Nutrição: adotarmos um programa de nutrição adequado, moderno, compatível com o nível do material genético utilizado, e que possa definitivamente colaborar, para o melhor aproveitamento do ganho de peso, conversão alimentar, eficiência de crescimento, menor deposição de gordura, e melhor qualidade de carcaça.

Instalações: as construções deverão ser dimensionadas de acordo com o tamanho da granja, e finalidade da criação, bem como: modernas; funcionais e que permitam um manejo adequado, com a melhor racionalização da mão de obra.

Sanidade: deveremos procurar manter o plantel livre de doenças que possam causar prejuízos econômicos, e afetar o desempenho, bem como manter monitorado constantemente, o status sanitário da nossa granja.

Manejo: podemos afirmar que 80% do sucesso de uma suinocultura, depende exclusivamente do manejo, e que este será adotado, em função dos 4 itens, acima relacionados: Genética, Nutrição, Instalações e Sanidade.

  Dentro das inúmeras técnicas de manejo diário de uma granja, uma que se destaca é o manejo reprodutivo do plantel. Este expressa de uma maneira muito clara a produção da granja, que é medida na maioria das vezes em: desmamados/matriz/ano. Para que possamos nos situar, do que poderia ser a performance reprodutiva ideal de uma matriz (fêmea), tomamos o seguinte exemplo:
114 dias de gestação + 21 dias de lactação + 5 dias para retorno ao cio = 140 dias.
365/dias (ano) ÷ 140 dias (ciclo reprodutivo) = 2.6 partos/ano.
Considerando:
Taxa ovulação média de uma matriz = . . . . . .20 óvulos.
Perdas embrionárias e fetais =. . . . . . . . . . ..30% ò 100% de fertilização de óvulos.
No máximo 5% de incidência de leitões natimortos.
No máximo 6% de mortalidade na maternidade.
Obteremos:
20 x 70% x 100% = 14 leitões nascidos por parto.
14 - (5%) - (6%) = 12.50 leitões desmamados/parto
12.50 6 2.6 = 32.50 desmamados/ matriz/ por ano.
  Sendo assim, concluímos que o potencial teórico de números de leitões desmamados por matriz por ano é de 32.50.
  A eficiência reprodutiva de uma granja é expressa pela capacidade de produzir o maior número de leitões, desmamados/fêmea/ ano.
 Vários fatores irão influenciar a melhor eficiência reprodutiva de uma granja, e entre eles podemos listar os principais:

NÚMERO DE LEITÕES/FÊMEA/ANO.

•Intervalo parto/parto.
•Reposição fêmeas.
•Reposição machos.
•Período gestação.
•Taxa de ovulação.
•Uso reprodutores.
•Período lactação.
•Reabsorção embrionária.
•Taxa fertilização.
•Desmama/descarte.
•Mortalidade de leitões.
•Dias Improdutivos.
•Período vazia.
•Tamanho leitegada.
 »O manejo adequado e informações atualizadas, precisas, confiáveis; de cada um dos itens acima é essencial para que possamos maximizar a eficiência reprodutiva, de um plantel.
   Principais pontos a serem considerados no manejo Reprodutivo:
Intervalo desmama/cobertura, muitos dos resultados positivos da taxa de fertilidade e tamanho de leitegada, vem sendo creditado ao número de coberturas feitos pelo varrão. Porém, estudos recentes demonstram a importância que o intervalo desmama/cobertura tem sobre a taxa de fertilidade e tamanho da leitegada.
  Após analisar mais de 18.000 coberturas de matrizes de diversas granjas, conclui-se que matrizes que entram em cio num período de 3 a 5 dias após a desmama, aceitam mais facilmente múltiplas coberturas, apresentando maior taxa de fertilidade e maior número de nascidos vivos. Por outro lado matrizes que apresentaram cio entre 6 a 15 dias após o desmame são classificadas como sub-férteis, apresentando assim menor aptidão a múltiplas coberturas, menor taxa de fertilidade e menor número de leitões por leitegada.

Período de lactação:

  A suinocultura tecnificada no Brasil vem trabalhando com média de idade ao desmame de 21 dias.
  Contudo o desmame com menos de 20 dias poderá ser altamente comprometedor para a performance reprodutiva do plantel, refletindo em diminuição significativa do número de nascidos, menor taxa de fertilidade, aumentando assim o intervalo entre desmama/cobertura efetiva.
 Uma matriz certamente apresentará muitas dificuldades de recuperar sua superfície uterina, para uma receptividade total de ovos fertilizados, se o desmame for muito precoce (14 a 17 dias). Assim sendo, parte da superfície não estará pronta para fixar e dar condições adequadas para desenvolvimento dos embriões.
 Considerando as observações acima devemos ter como meta promovermos desmamas com idades acima de 21 dias.

Taxa de Ovulação:

  Os principais fatores que podem interferir na taxa de ovulação de uma fêmea são:

•Idade da fêmea.
•Técnicas de Manejo.
•Nutrição adequada.
•Genética.
•Stress calórico.
•Perda de Peso Corporal.
  O estágio reprodutivo da fêmea, (idade) terá grande influência no número de óvulos liberados para fecundação. Uma matriz tem maior capacidade de ovulação que uma leitoa, e esta por sua vez apresenta maior capacidade de ovulação após o 3º cio.
 Outra forma de aumentar a taxa de ovulação de fêmeas (matrizes ou leitoas), é através da prática do Flushing. As fêmeas após o desmame requerem uma grande quantidade de energia. Para suprirmos esta exigência de energia fornecemos ração lactação à vontade para as matrizes no período pré-cobertura.

Condições físicas da X após o desmame:

  O excesso de perda de peso corporal pela matriz durante o período de lactação é altamente negativo para o subsequente desempenho reprodutivo da fêmea. A perda de peso de uma nutriz, no fim da lactação, nunca deverá ultrapassar 13% do seu peso corporal no dia do parto. O excesso de perda de peso é diretamente proporcional ao retardamento da entrada em cio pós desmame.
  Dentre os fatores que podem influenciar na perda de peso na lactação são:

•Qualidade e consumo de água.
•Freqüência de arraçoamentos.
•Qualidade da ração.
•Ventilação.
•Temperatura ambiente.
•Idade da fêmea.

  A temperatura ideal para a produção e bem estar de uma matriz (melhor conforto térmico), está situado por volta de 17 graus centígrados. Ao mesmo tempo e no mesmo ambiente (maternidade), a temperatura ideal para leitões recém nascidos é de 32 graus. É importante nos concientizarmos que a temperatura das salas deve ser direcionada para a matrizes, e a temperatura do creep para os leitões. Salas quentes e abafadas irão sem dúvida inibir o consumo de ração, por parte da matriz, prejudicando a produção de leite e desenvolvimento de sua leitegada.
  Em períodos ou regiões de clima quente, recomendamos adicionar suplementos nas rações lactação, e ou (óleo/açúcar), e ao mesmo tempo tentarmos diminuir a temperatura da sala de maternidade; molhando os corredores ou até os telhados.    O número de vezes que alimentamos as matrizes, irá influenciar na produção de leite. Quanto maior a frequência de alimentação, maior será a produção de leite. Recomendamos pelo menos 3 a 4 tratos ao dia com ração molhada, e pelo menos um trato a noite com ração seca.

Idade do Plantel de uma granja/Política de descarte:

  A idade do plantel de uma suinocultura está diretamente relacionada com sua produção. A máxima performance reprodutiva de uma matriz é alcançada entre o 3º e o 6º parto, Por isso ao adotarmos uma política de descarte devemos nos concientizar em mantermos por volta de 50% do plantel nesta faixa etária. Leitoas de reposição devem ser selecionadas, e cobertas nos 3o cio aproximadamente 210 dias de idade e por volta de 120 kg de peso, isto nos asseguraria um alto desempenho da primeira leitegada e uma matriz com vida reprodutiva mais longa.

Taxa de Fertilidade:

  Ao nos depararmos com problemas de taxa de fertilidade de um plantel, devemos primeiramente determinar se estes problemas estão realmente relacionados com fertilidade. ( considerando-se que a taxa de fertilidade reflete a proporção de matrizes cobertas que parem). Com isso, também expressam descartes de matrizes cheias (enxertadas), e mortes que não estão relacionadas com problemas de infertilidade.
  Constatando-se problemas de infertilidade, devemos distinguir duas situações:

•Baixa capacidade de concepção.

•Baixa capacidade da matriz se manter prenhe.

Considerando os fatores acima, descrevemos alguns itens importantes:

1.Detecção do cio: este dependerá da boa habilidade do produtor, assim como um bom treinamento dos machos em detectar o cio da matriz. O contato dos machos com as fêmeas, o período do contato, a agressividade dos machos, a timidez das fêmeas, reação dos machos à presença do tratador, são alguns fatores que irão intervir em uma boa detecção de cio.

2.Quanto aos reprodutores: O uso de vários machos para a cobertura de uma matriz no
mesmo cio tem mostrado resultados significativos em relação ao número de leitões nascidos, assim como uma maior taxa de fertilidade.

  Trabalhos da Embrapa tem mostrado que a presença de machos de coloração diferente tem um aumento de 10% no tamanho da leitegada. Outros fatores são importantes: intervalo entre cada cobertura,(duas coberturas com machos diferentes no mesmo horário), idade dos machos, local de cobertura adequado, (uso de baias de monta, com piso de areia), tamanho do macho em relação a fêmea, etc...

3.Quanto a qualidade das coberturas: será que todas as montas estão sendo bem acompanhadas? Devemos classificar as coberturas com notas.

•¤¤¤ Boa
•¤¤ Satisfatória
•¤ Monta não observada
•? Monta suspeita ou insatisfatória

  O acompanhamento de todas as montas é essencial, para o bom resultado reprodutivo, o auxilio do macho na hora da monta (ajudar a introduzir o pênis na vulva), evitando o contato manual, com a
glande do macho.

1.Temperatura alta, e ambientes abafados: estão diretamente relacionados com a qualidade da cobertura, em regiões muito quentes deve-se efetuar as montas de manhã, (6 a 7 horas) e a tarde após as 20 hora.

2.Genética: trabalhos de diversos autores demonstram claramente vantagens na utilização de machos cruzados ao invés de machos puros, no que se refere à performance reprodutiva.

  Varrões cruzados, devido ao vigor híbrido, tem uma maior produção de espermatozóides e apresentam maior libido. E ainda machos cruzados, tem uma taxa de sobrevivência maior no plantel ( menor taxa de descarte).

Manejo de Fêmeas Primíparas:

  O correto manejo de leitoas antes da cobertura é essencial para o desempenho e vida reprodutiva da fêmea. Recomendamos um período de adaptação de pelo menos 40 dias, das leitoas na granja nova; antes da cobertura. Durante este período as fêmeas são alimentadas com ração gestação (2,5 kg/animal/dia) com o objetivo de mantermos as fêmeas sem excesso de ração para uma possível resposta positiva ao flushing. As fêmeas deverão serem cobertas com idade acima de 200 dias, e 10 dias antes do início das coberturas deveremos oferecer ração lactação à vontade.

TÉCNICAS DE MANEJO PARA CONTROLE DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS REPRODUTIVOS DA ESPÉCIE SUÍNA:

  Consideraremos neste trabalho os principais problemas reprodutivos de importância econômica maior. Entre estes estão as descargas vulvares (cistites, pielonefrites e metrites) e abortos de causas
infecciosas ou não.
    É importante lembrar que o primeiro passo para se tentar solucionar problemas genito-urinários e de abortos; é um extenso levantamento do histórico reprodutivo da granja, onde devemos ter à mão os seguintes dados:

1.Idade média do plantel
2.Tipo de animal
3.Tipo de cruzamento
4.% de repetição de cio
5.Intervenção no parto
6.Ocorrências de doenças
7.Programa de vacinação
8.Manejo geral da granja
9.Monta natural/inseminação
10.Uso de reprodutores

     Quanto maior o número de informações associadas aos problemas reprodutivos, maior a facilidade em se detectar as causas, e elaborar um programa de controle destes problemas.
    É essencial que se adote algumas técnicas de manejo para controlarmos os problemas reprodutivos. Para isso a EMBRAPA desenvolveu um livro com 500 perguntas e respostas sobre suínos e que você pode baixar em pdf, no link abaixo. https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000029-ebook-pdf.pdf&ved=2ahUKEwj69-Hf2ozaAhWBCpAKHToZA-MQFjAAegQICBAB&usg=AOvVaw3ps-B5zwq9i1pgir508Zd-



Emanuel Isaque Cordeiro da Silva está pagando a disciplina de suinocultura no curso técnico em agropecuária pelo Instituto Federal de Penambuco campus Belo Jardim. 

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